Intervenção traz ‘falsa’ sensação de segurança e transportadoras recusam fretes para o RJ

O alto índice de roubo de cargas no Rio de Janeiro tem feito com que transportadoras de Americana evitem entregas que tenham o território fluminense como destino. Nem mesmo a recente intervenção militar foi capaz de diminuir a sensação de insegurança. Uma das saídas encontradas para atender os clientes é levar os produtos para os centros de distribuição que æcam fora da capital e programar a retirada. Em último caso – último mesmo -, as empresas do ramo pedem uma contrapartida para que o risco seja reduzido. “Tem recusa e a pouca carga que não existe recusa, tem que trabalhar com gerenciamento de risco muito forte, pesado mesmo. Às vezes, não é nem questão de escolta.

Tem o fato de que alguns motoristas não querem mais viajar para o Rio de Janeiro. Uma coisa vai puxando a outra”, aærmou José Alberto Panzan, proprietário de umas das principais transportadoras com sede em Americana e presidente do Sindicamp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região).


RECORDE. O roubo de carga no Estado do Rio de Janeiro bateu recorde no ano passado, com aumento de 7,3%. Passou de 9.874 ocorrências em 2016 para 10.599 em 2017, segundo o ISP (Instituto de Segurança Pública). Foram quase 30 roubos por dia. Mais de um por hora. De acordo com estimativas da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), o prejuízo com esse tipo de crime em 2017 foi de R$ 607,1 milhões.


“Esse problema no Rio de Janeiro já perdura mais de seis meses. Para se ter uma ideia da situação atual [refere-se a entrega de mercadorias], tem um grande fabricante de alimentos que carrega o caminhão, atravessa a divisa São Paulo-Rio de Janeiro e antes de descer a Serra das Araras, para em uma espécie de entreposto deles, troca a nota e de lá segue para o Rio de Janeiro com escolta. E a escolta æca lá até o caminhão entrar no cliente. Tem todo um esquema de segurança”, aærmou Panzan. Luciene Lima, assistente-administrativa de uma outra transportadora com unidade em Americana, disse que desde que o índice de roubo de carga começou a aumentar, em agosto de 2016, a empresa deixou de fazer entregas em locais próximos a comunidades. “Nossa gerenciadora de risco não permite. Entramos em contato com o cliente e pedimos que ele faça a retirada no nosso CD (Centro de Distribuição), em Belford Roxo – que æca a cerca de 35 km de distância da capital -, ou acorda com o fornecedor outro endereço para entrega”, explicou.


Intervenção traz ‘falsa’ sensação de segurança Desde meados de fevereiro, o comando das polícias e das penitenciárias do Rio de Janeiro está nas mãos do Exército. Para o presidente do Sindicamp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região), José Alberto Panzan, a medida traz uma falsa sensação de segurança. “Ficar do jeito que estava não dava. Agora, se analisarmos os últimos dez anos, vemos que esse problema de violência no Rio é uma coisa muito recorrente”, disse Panzan. A análise é corroborada por Luciene Lima. “A situação no Rio de Janeiro atingiu um patamar tão complicado que acredito que o prazo de intervenção é muito curto para termos um resultado satisfatório”, analisou ela, que atua em uma transportadora com unidade em Americana.


Taxa de Emergência Excepcional

Para cobrir os elevados custos com segurança e minimizar os prejuízos com o roubo de cargas, transportadoras que atuam no Rio de Janeiro passaram a cobrar uma taxa extra das empresas que contratam os seus serviços. Batizada de Emex (Taxa de Emergência Excepcional), ela foi instituída em março do ano passado. Segundo a NTC (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), a taxa é prevista para “regiões que se encontram em estado de beligerância”. Prevê a cobrança de R$ 10 por fração de 100 quilos de carga, mais um percentual do valor da carga que varia de 0,3% a 1,0%.


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