Quadrilha roubou toneladas de chocolate, camarão e carne bovina

Investigação do GAECO aponta envolvimento de ladrões de carga em pelo menos 13 assaltos em cidades de dois estados

A quadrilha presa na região no mês passado, na Operação Vidocq, roubou cargas variadas e até peculiares. Entre novembro do ano passado e abril deste ano, o grupo praticou pelo menos 13 assaltos em diversas cidades do interior paulista, segundo as investigações. Roubaram toneladas de chocolate, camarão e carne bovina. As prisões ocorreram no dia 11 de abril e incluiu moradores de Sumaré e Nova Odessa – entre eles, um que se preparava para um novo roubo. No total, 19 pessoas foram denunciadas à Justiça no mês passado pelo Gaeco, braço do Ministério Público Estadual que investiga o crime organizado.

O primeiro assalto acompanhado pelos investigadores tem ligação com Americana. O crime ocorreu no dia 22 de novembro, na Rodovia Anhanguera (SP-330) em local não especificado pela denúncia do MP. Questionada, a Promotoria se negou a informar o local da ocorrência porque que o caso tramita em segredo de justiça. Na ocasião, segundo as investigações, dois homens vestidos com fardas da polícia ordenaram que um motorista parasse no acostamento. Os assaltantes simularam uma abordagem de rotina enquanto um GM Cobalt parou em frente ao caminhão. Em seguida, o motorista foi rendido e colocado no veículo. A carga roubada era de terpeno cítrico, composto usado em inseticidas e repelentes. Para roubá-la, um dos integrantes da quadrilha teria recebido informação sobre a rota do caminhão. Depois do roubo, a mercadoria foi armazenada em um barracão no Werner Plaas, em Americana, para ser revendida para indústrias de Valinhos.

Encomendas

Os alvos dos criminosos eram variados. Nos seis meses monitorados, a quadrilha roubou mais de 50 toneladas de carne. Em um dos roubos, na Marechal Rondon, em Bauru, a polícia conseguiu recuperar 28 toneladas. Outros alimentos também entraram na lista de mercadorias roubadas pelo grupo. No dia 24 de fevereiro, em um posto de combustíveis no trecho da Rodovia Fernão Dias que passa por Extrema (MG), um caminhão carregado com 15 toneladas de camarão foi abordado e levado pelos assaltantes. A carga seria encomendada e o roubo, praticado com a ajuda do próprio motorista que a carregava (leia abaixo). Pouco mais de um mês depois, em abril, a quadrilha presa pela Operação Vidocq atuou no roubo de uma carga de 15 toneladas do chocolate Kinder Ovo, na Rodovia Anhanguera. No dia em que a operação foi deflagrada, a polícia conseguiu recuperar a carga. No período, o grupo ainda praticou cinco roubos de combustível e um de querosene.

Motorista é suspeito em 6 casos

De acordo com as investigações da Operação Vidocq, uma das características da quadrilha era que, em alguns casos, integrantes usavam fardas da Polícia Militar Rodoviária para abordar motoristas, simular abordagens e praticar os roubos.


Em outros, entretanto, o desvio criminoso das cargas contava com a ajuda dos próprios motoristas das transportadoras. A colaboração teria ocorrido em seis dos 13 casos e envolveram o roubo de combustível, de carne, máquinas de costura e camarão.


No roubo de carne na Marechal Rondon, a investigação descobriu que o motorista do caminhão, “vítima” do assalto, passou informações sobre a carga, o trajeto e o local em que estaria, na cidade do noroeste paulista. Em outro caso, que também envolveu roubo de carne, o motorista, que teria colaborado com os bandidos, registrou, inclusive, boletim de ocorrência.


Suposto líder foi preso em operação há dois anos

A investigação do Ministério Público apontou Clóvis Aranha Probio, de 42 anos, como o responsável por liderar a quadrilha de roubo de cargas desmontada pela Operação Vidocq.

Segundo a Promotoria, ele articulava os crimes, acompanha os assaltos praticados por comparsas e pagava propina a agentes policiais, presos também pela operação. Clóvis, cujo apelido era Pilantra e Baixinho, além de planejar os roubos, também contatava os chamados “fiteiros” – pessoas que passam informações privilegiadas ao grupo para os roubos.


O suspeito, preso em Paulínia no dia 11 de abril, já havia sido alvo de outra ação articulada das autoridades, a Operação Petroleiros. Em junho de 2016, agentes da Polícia Civil descobriram um esquema que roubava e comercializava 600 mil litros de combustíveis por mês na região de Campinas.


Clovis é suspeito de participar dos crimes. Denunciado pelo Ministério Público por organização criminosa e receptação em agosto de 2016, ele foi solto dois meses depois. Além dele, um comparsa também foi preso pelas duas operações.


Riscos Brasil





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